A banda desenhada africana está a viver um momento de ebulição criativa. Após décadas de invisibilidade no mercado editorial global, artistas de quadradinhos de Ghana, Nigéria, África do Sul, Quénia e crescentemente de todo o continente estão a criar universos gráficos com identidade própria, heróis africanos e histórias que ressoam com as realidades do continente.
Publicações como "Aya de Yopougon" da ivoriana Marguerite Abouet, "Lethabo and Friends" da sul-africana Sam Nzima, e o crescente movimento de superheroínas e heróis africanos em BD mostram um medium em plena reinvenção. No Brasil, a tradição de BD afro-brasileira abre também caminhos para a lusofonia africana.
Em Moçambique, a tradição de banda desenhada é modesta mas presente: publicações educativas em línguas locais usam o formato de BD, e alguns jovens artistas estão a explorar o formato em contextos de webtoon e redes sociais. O potencial é imenso — as histórias moçambicanas, com a sua mitologia, a sua história e as suas personagens contemporâneas, têm todo o material para uma BD moçambicana que conquiste leitores muito além das fronteiras do país.
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