O microcrédito foi celebrado nos anos 1990 e 2000 como a solução para a pobreza através do empreendedorismo: dar acesso a pequenos empréstimos a pessoas excluídas do sistema bancário formal e deixar a magia do mercado fazer o resto. Muhammad Yunus ganhou o Nobel da Paz por popularizar o conceito. A realidade, décadas depois, é mais complicada.
Em Moçambique, as instituições de microcrédito multiplicaram-se, mas as taxas de juro praticadas — muitas vezes entre 20% e 60% ao ano — são incompatíveis com a rentabilidade da maioria dos pequenos negócios informais que servem. O resultado em muitos casos é um ciclo de endividamento que empobrece em vez de libertar.
O microcrédito funciona quando: as taxas são razoáveis (abaixo de 15% ao ano), quando vem acompanhado de formação em gestão de negócios, quando os montantes são adequados à escala do negócio, e quando existe uma rede de suporte que ajuda quando as coisas correm mal. Sem estas condições, é um produto financeiro como qualquer outro — útil para alguns, perigoso para muitos.
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