A lua sobre o mar da Beira
não pede licença.
Simplesmente está —
como as coisas que existem
sem precisar de ser justificadas.
Sentamo-nos junto ao mar
a ver a lua
a fazer o que sempre fez:
reflectir luz que não é sua
com uma generosidade
que as estrelas não têm.
Alguém ri perto de nós.
Uma criança corre.
O mar está sereno
como uma respiração
entre frases.
Penso que há noites
que não precisam de ser recordadas —
apenas vividas completamente.
Esta é uma delas.
Estou aqui
sem querer estar em lado nenhum
que não aqui.
A lua continua
indiferente
à beleza que faz.
Talvez seja esse
o seu segredo.
Não saber
que é exactamente tão boa
como é.
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