Nem todo o silêncio
é ausência.
Alguns silêncios
são as coisas mais cheias
que existem —
tão cheias
que não cabem em palavras
sem perder algo essencial.
Aprendi a distinguir:
o silêncio que adormece
e o que acorda.
O que evita
e o que honra.
O que protege
e o que aprisiona
com cuidado disfarçado.
Os mais difíceis
são os que parecem iguais
mas não são:
o silêncio do que ainda não é seguro dizer
e o do que já passou do tempo
de ser dito.
Às vezes só se percebe a diferença
depois.
Quando já não há
a quem dizer.
Por isso escrevo —
não para romper o silêncio
mas para perceber
qual deles
merece ser guardado.
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