O mercado de trabalho moçambicano tem um desequilíbrio crónico: excesso de licenciados em gestão, administração e ciências sociais, e uma escassez dramática de programadores, engenheiros de software, especialistas em cibersegurança, analistas de dados e profissionais de infraestruturas tecnológicas.
Esta escassez tem um custo directo na economia: empresas moçambicanas pagam salários de expatriados para trazer técnicos do estrangeiro para fazer trabalho que deveria ser feito localmente. Projectos tecnológicos atrasam-se ou falham por falta de competências locais. E o governo digital prometido há anos ainda não existe porque não há quem o construa.
A solução não é só reformar o currículo universitário — é criar o ecossistema completo. Bootcamps de programação acessíveis, iniciativas de coding para jovens nas escolas secundárias, incentivos fiscais para empresas que formam desenvolvedores moçambicanos, e um mercado de trabalho que valoriza estas competências com salários que retêm os talentos no país em vez de os exportar.
Sem comentários ainda. Sê o primeiro!
Entrar ou Criar conta para comentar