Ética da IA: quem decide o que os algoritmos fazem?

Os algoritmos que determinam que notícias vê, que empréstimo obtém, que emprego lhe é sugerido e até que sentença judicial recebe foram escritos por humanos com perspectivas, preconceitos e interesses específicos. E na grande maioria dos casos, esses humanos são brancos, homens, ocidentais e representantes de interesses corporativos — não os utilizadores africanos, mulheres, pobres ou marginalizados que os algoritmos vão afectar.

Em Moçambique, a adopção de sistemas de IA em serviços públicos — reconhecimento facial, scoring de crédito, triagem de candidaturas — está a acontecer sem debate público, sem regulação adequada e sem questionamento sobre os vieses que estes sistemas importam dos dados com que foram treinados, dados que raramente representam a realidade africana.

A ética da IA não é uma questão técnica — é uma questão política. Quem beneficia dos sistemas que estamos a adoptar? Quem paga o custo dos seus erros? E quem tem voz nas decisões que nos afectam a todos? Estas perguntas precisam de respostas antes de os sistemas serem implementados, não depois.

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