O mar moçambicano
é velho de uma forma
que as palavras não alcançam.
Guarda nomes de barcos
que não voltaram,
canções de pescadores
que o vento levou
antes do crepúsculo.
Não é nostálgico —
é apenas fiel.
Repete a maré
como quem honra
um compromisso antigo.
Eu aprendi com ele
que algumas coisas
não se explicam —
apenas se continuam.
Que partir
não é o oposto de ficar.
É outra forma
de pertencer.
Quando não sei
o que fazer com o que sinto,
vou até à costa
e deixo o mar
fazer o que sabe:
chegar,
tocar,
recuar,
e voltar
sem pedir desculpa
por nenhuma das três coisas.
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