A indústria da música em Moçambique: os números que ninguém divulga

Quanto ganha realmente um músico moçambicano? A resposta honesta é: muito menos do que devia, e de formas muito mais precárias do que a imagem glamorosa das redes sociais sugere. A indústria musical formal em Moçambique é pequena, pouco regulada e dominada por práticas que desfavorecem sistematicamente os criadores em relação aos intermediários.

A principal fonte de rendimento da maioria dos músicos moçambicanos são as actuações ao vivo — festas privadas, eventos corporativos, concertos. O streaming gera receitas mínimas para artistas sem contratos internacionais e sem centenas de milhares de reproduções mensais. Os direitos de autor são teoricamente protegidos pela SOMAS (Sociedade Moçambicana de Autores), mas a cobrança e distribuição efectiva de royalties é ainda muito limitada.

A mudança que os músicos mais experientes defendem: formalização dos contratos de actuação, educação financeira específica para artistas, criação de fundos de apoio à produção musical, e a construção de estúdios de gravação acessíveis em cidades fora de Maputo. "Há talentos extraordinários em Nampula, em Beira, em Tete, que nunca vão chegar a ninguém porque não têm como gravar com qualidade", diz um produtor musical de Maputo.

Gostaste? Apoia o Criador.

Subscreve gratuitamente e recebe os próximos artigos de Humberto Rodrigues no teu feed. Ou envia uma gorjeta directa para mostrar o teu apreço.

Comentários

Sem comentários ainda. Sê o primeiro!

Entrar ou Criar conta para comentar

Artigos relacionados