Bazukuta: o colectivo que está a reinventar o som de Maputo

Do Bairro do Aeroporto para o mundo: o colectivo Bazukuta é talvez o fenómeno mais interessante da música moçambicana contemporânea, reunindo produtores, MCs, cantores e videomakers numa estrutura horizontal de criação e distribuição que dispensa completamente as gravadoras e os intermediários tradicionais. Os seus lançamentos — sempre acompanhados de visuais de alta qualidade rodados com orçamentos mínimos — acumulam centenas de milhares de visualizações no YouTube e têm chegado a playlists editoriais do Spotify em vários países.

O som do Bazukuta é difícil de categorizar: afrobeats com influências de kuduro angolano, trap norte-americano, marrabenta e kwaito sul-africano, tudo filtrado por uma sensibilidade estética muito específica que é inconfundivelmente moçambicana sem ser folclórica. "Não queremos fazer música que soa a Moçambique de postal. Queremos fazer música que soa a este Maputo, agora, 2025", disse um dos membros do colectivo numa entrevista recente.

O modelo de negócio do Bazukuta — sem gravadora, com gestão própria dos direitos, distribuição digital directa — está a ser estudado como caso de referência por músicos de toda a África Austral que querem escapar às condições desfavoráveis dos contratos com grandes editoras.

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