O Canal de Moçambique, o braço do Oceano Índico que separa Moçambique de Madagáscar, é um dos ecossistemas marinhos mais biologicamente diversos do mundo. As suas águas albergam mais de 2 000 espécies de peixes, 50 espécies de corais, 5 das 7 espécies de tartarugas marinhas existentes no mundo, e populações de dugongos, baleias-jubarte e tubarões-baleia que atravessam as suas águas sazonalmente.
Cientistas moçambicanos em colaboração com instituições internacionais têm documentado espécies novas para a ciência com regularidade, especialmente nas zonas de profundidade menos exploradas do canal. Recentes expedições ao Banco de Sofala e às montanhas submarinas ao largo de Moçambique revelaram comunidades de corais de águas frias a profundidades de mais de 500 metros.
A gestão sustentável deste capital natural é simultaneamente uma questão científica e política. A pesca industrial desregulada, a poluição costeira e as alterações climáticas ameaçam ecossistemas que demoram décadas ou séculos a recuperar. A ciência já sabe o que precisa ser feito — falta a vontade política para o implementar.
Sem comentários ainda. Sê o primeiro!
Entrar ou Criar conta para comentar