Debaixo dos nossos pés existe um ecossistema complexo e vital que sustenta toda a produção alimentar de Moçambique: o solo vivo. Um centímetro cúbico de solo saudável pode conter mil milhões de bactérias, quilómetros de fios de fungos, dezenas de espécies de artrópodes — uma biodiversidade invisível que transforma matéria orgânica em nutrientes, retém água, sequestra carbono e protege as plantas de doenças.
Em Moçambique, a degradação do solo é um problema crescente causado pela desflorestação, pela agricultura de queimada, pelo uso excessivo de fertilizantes químicos e pela erosão em zonas de elevada pluviosidade. Solos degradados produzem menos, absorvem menos água das chuvas (aumentando o risco de cheias e secas), e libertam para a atmosfera o carbono que estavam a armazenar.
A agroecologia — a ciência de produzir alimentos em harmonia com os ecossistemas naturais — oferece alternativas: rotação de culturas, cobertura do solo, compostagem, agroflorestas. Agricultores moçambicanos que adoptaram estas práticas reportam produções mais estáveis e solos mais férteis ao longo do tempo, sem a dependência de inputs externos dispendiosos.
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