Depois de tudo o que se disse
o que fica?
Não as grandes declarações —
essas desvanecem
com a seriedade
de quem as disse.
Fica o pequeno:
a forma como ajustaste
o volume da voz
quando eu estava a dormir.
O copo de água
que apareceu na mesa
sem que eu pedisse.
O silêncio específico
depois de algo difícil
que escolheste não tornar maior.
As pessoas revelam-se
naquilo que fazem
quando acham que não importa.
É aí que está
a verdade delas.
O que sobra depois
não é a memória das palavras —
é a textura
do que foi real.
E real
são estas coisas pequenas
que aconteceram
sem ensaio
e por isso
não têm devolução.
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